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domingo, 9 de maio de 2010

Idec aponta as suspeitas que pairam sobre cada corante


Você já deve ter notado, em diversos alimentos, a presença de corantes... Mas será que o azul da gelatina, o vermelho da jujuba ou o amarelo do picolé podem ser prejudiciais à nossa saúde???

 Por Caline Migliato
São Paulo, 06 (AE) - O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) aponta a seguir as suspeitas que pairam sobre cada corante usado no País. Conheça também as alternativas naturais para eles, apontadas pela Chr Hansen, empresa que trabalha com corantes naturais no Brasil há mais de 30 anos.
Vermelho

- Vermelho 40: pode provocar hiperatividade em crianças quando associado ao benzoato de sódio. Banido na Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Dinamarca, Suécia e Suíça.
- Vermelho ponceau 4r: ligado à anemia e à impulsividade quando associado ao benzoato. Banido nos EUA e na Finlândia.
- Vermelho eritrosina: suspeito de causar câncer em ratos. Banido nos EUA e na Noruega.
- Vermelho bordeaux: pode levar a crises asmáticas e eczemas. Banido nos EUA, na Áustria, Noruega e Rússia.
- Substituto natural: urucum, extraído da semente da planta Bixa Orellana, um carotenoide, rico em vitamina A.
Verde

- Misto: a combinação de corantes amarelos com os azuis origina a pigmentação verde, que carrega características de ambos os compostos.
-.Substituto natural: clorofila, pigmento verde presente nas plantas que fazem a fotossíntese. Ela tem antioxidantes, que combatem o envelhecimento celular. Espinafre e alfafa são fontes especialmente boas.

Azul
- Azul brilhante: pode desencadear irritações cutâneas e constrição brônquica se associado a outros corantes. Banido na Suíça, Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Noruega e Suécia.
- Substituto natural: antocianinas, que são ricas em antioxidantes e combatem os radicais livres. Encontradas na uva, framboesa, amora e repolho roxo .

Amarelo

- Amarelo crepúsculo: pode provocar hiperatividade quando associado ao benzoato de sódio. Banido na Finlândia e Noruega.
- Amarelo quinolina: suspeito de causar hiperatividade se associado ao benzoato.
- Amarelo tartrazina: pode provocar reações alérgicas, como asma, bronquite, rinite, urticária, eczema, dor de cabeça, insônia e falta de concentração. No Brasil, Inglaterra e EUA seu uso deve ser indicado nos rótulos por extenso.
- Substituto natural: extraída da raiz da cúrcuma, tem propriedades terapêuticas (a Universidade Federal de Goiás estuda seu efeito anticancerígeno).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O remédio que vem do açaí


Corante desenvolvido a partir da fruta aumenta a eficácia de cirurgias oculares

Bruna Bessi, iG São Paulo | 07/04/2010 05:10

Fruta tipicamente brasileira, o açaí não é apenas um alimento rico em propriedades nutricionais para os pesquisadores do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Descoberta pelos cientistas da Unifesp, a substância do açaí denominada antocianina provou ser uma excelente opção para o desenvolvimento de corantes intraoculares.
Além de ser em média 20 vezes mais barato que os produtos tradicionais - o valor unitário de um corante pode variar de R$ 300 a R$ 500 - o corante à base de açaí é também menos tóxico, o que favorece o tratamento de pacientes que são submetidos a determinados tipos de cirurgias oftalmológicas.
A pesquisa com a fruta está em andamento há mais de um ano na Unifesp. “Identificamos que nas cirurgias de vítreo e retina eram usados corantes de custo elevado e alto nível de toxicidade para os olhos. Por isso, buscamos uma alternativa”, diz Michel Eid Farah, presidente do Instituto da Visão da Unifesp e integrantes do grupo de pesquisadores.
Os corantes são muito utilizados nas cirurgias oculares em geral e, especialmente, nas vitreorretinianas para visualizar membranas e tecidos transparentes. Os cientistas acreditam que o tratamento de doenças na retina (camada mais interna do globo ocular), como descolamento e derrames, será bastante beneficiado pela descoberta, já que o novo corante permite a visualização precisa de estruturas intraoculares durante as cirurgias.

Diversas espécies da flora brasileira, como o pau-brasil, tiveram sua capacidade de coloração testada durante a pesquisa. A escolha do açaí ocorreu devido à intensa cor roxa e à propriedade de corar temporariamente estruturas biológicas, sem liberar radicais livres. “Em cirurgias oculares, o ideal é usar corantes com reduzida capacidade oxidativa, ou seja, que gerem menos radicais livres e danos aos tecidos dos olhos”, afirma Maurício Maia, professor da Unifesp e um dos coordenadores do estudo
Novo corante está em fase final de testes
O custo do novo produto também o torna atraente. No Departamento de Oftalmologia da Universidade são realizadas cerca de 80 cirurgias vitrorretinianas por mês, e a redução do gasto com o uso do novo corante poderá ser representativa no orçamento. “Acreditamos que o maior benefício será direcionado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), já que hoje há dificuldade na obtenção dos corantes para as cirurgias desse tipo devido ao elevado custo do produto”, afirma Maia.
Na fase final dos testes, os pesquisadores buscam estabelecer com precisão o nível de toxicidade do novo corante, já que para a comercialização do experimento é preciso que os resultados demonstrem ausência de toxinas. As cirurgias para teste já estão sendo realizadas em coelhos e os pesquisadores acreditam que a comercialização do produto possa tornar-se realidade em breve.
 
Extraído de: economia.ig.com.br